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APRESENTAÇÃO DO ROMANCE Luena, Luanda, Lisboa, de Branca Clara das Neves Biblioteca das Galveias (Lisboa), 09 de Setembro de 2014 Pela Professora Inocência Mata ( Cumprimentos e Reconhecimentos aos anfitriões (Biblioteca Palácio das Galveias), ao editor e à autora, Ana Luísa Teixeira, minha amiga de longa data, que conheci dos idos dos anos 80 do século passado, em que, voluntariosos estudantes universitários que éramos, começámos a realizar, fora do circuito fechado das Embaixadas africanas, as comemorações do 25 de Maio, tudo fazendo pela visibilização da presença africana em Portugal. ) Permitam-me, pois, esta digressão nostálgica – uma nostalgia progressiva, diria Walter Benjamin – lembrando os inícios do nosso conhecimento, nas primeiras comemorações do Dia de África: foi nos anos 80 que um grupo de estudantes em Portugal resolveu num belo dia de Maio, em alegre cavaqueira na “cantina velha” – (onde grande parte de nós nos encontrávamos, mesmo se não lá tivéssemos almoçado) – resolveu, dizia, ensaiar uma primeira comemoração do dia de África, impulsionados por um estudante mais velho que, não sendo frequentador assíduo daquele espaço, por lá aparecia de vez quando: o Filó Vieira Lopes. Assim, a transbordar de boa vontade e pouca capacidade organizativa, convocámos colegas e até familiares a participarem com aquilo que sabiam fazer. E num salão algures no Lumiar, realizámos uma sessão cultural: daquelas “clássicas”, com música, recital de poesia acompanhado de música que um colega que soubesse dedilhar umas cordas se esforçava por inserir entre as palavras dos poetas ditas por estudantes muitos dos quais nem sabíamos que coisa era essa. Contávamos pelos dedos das mãos aqueles que se entregaram a essa empreitada. Foi um passo que se generalizou e pouco depois associações cívicas, culturais e de imigrantes africanos (naqueles tempos em que os próprios imigrantes não se assumiam como tal) já não mais deixaram de assinalar o dia. Hoje, em quase todas as associações ou agrupamentos de estudantes universitários, de qualquer estabelecimento de ensino superior, os estudantes africanos, mesmo à beira dos exames finais, se esforçam por assinalar o dia 25 de Maio, conseguindo o que então a nossa geração não conseguira: envolver as suas escolas, cooptar os seus colegas portugueses. Esse processo foi revelando uma interessantíssima mutação na identidade da comunidade africana em Portugal: é que esse frenesim de que os africanos são atacados em Maio, e que se estendeu a instituições portuguesas, revela que se vão considerando parte de uma comunidade com um denominador comum: a origem africana que os unia mais do que separava, uma espécie de orgulho continental que a “condição africana” impunha celebrar. Como que a dizer que não obstante as imagens pouco celebrativas que vêm de África, e sobretudo sobre África, ainda nos orgulhamos de sermos filhos dela. 1. Vidas em jogo O essencial não é o que se fez do homem, mas o que ele fez do que fizeram dele. Jean-Paul Sartre Esta não foi, acreditem, uma digressão vã. E verão porquê, agora que vou passar ao assunto que nos trouxe cá. E o que nos trouxe cá é esta amiga, Ana Luísa, aliás, Branca Clara das Neves, de quem não conhecia tendências literárias, até descobrir o seu blogue Os-do-meio. Não posso deixar de assinalar quatro aspectos curiosos dessa estreia: 1. Um primeiro romance que surge como continuação da sua actividade bloguista: o nome, os tags, a mesma discursividade da escrita dos textos do blogue e a mesma autoria, Branca Clara das Neves; 2. A mesma construção geográfica da identidade: Luena Luanda Lisboa, que surge como emblema autoral do blogue e que é, afinal, o título deste romance; 3. O pseudónimo, Branca Clara das Neves, que se faz a partir de semas que apontam para uma certa imagem rácica em contraste com a ideologia identitária da autora, que se afirma, pela reiteração de uma geografia original, o seu lugar de pertença, rasurando a categoria raça na sua construção identitária; 4. Finalmente, uma indicação em subtítulo que parece contrariar os focos narrativos até sugeridos pelos títulos das três partes: Maria Benta, Antoine e Ana Maria. A história deste romance, em três andamentos, é narrada por um narrador completamente omnisciente – que se confunde com a voz das personagens: com efeito, o romance tem muito poucos diálogos, e é sobretudo uma voz narrante, focalizada em determinadas personagens (sobretudo na avó Maria Benta), que nos vai informando sobre as personagens e o seu passado. Não se pense, porém, que esses três andamentos se referem a três tipos de focalização igualmente distribuída: na primeira parte, a história é introduzida através da perspectiva de Maria Benta e, para além da sua apresentação, do seu passado e do seu percurso desde Luena até Lisboa, a sua vivência sem enlevo em Portugal, as preocupações com a sua filha em Luanda e o neto com quem vive, a sua tentativa de regresso à terra e àquele presente. Pela sua fala se vai percebendo os meandros do seu círculo de afectos – o neto João Carlos/Joca, Manuel, o marido já falecido, e a filha Ana Maria – e o lugar dessas personagens e o seu papel no percurso de vida de Maria Benta. Na segunda parte a personagem privilegiada na focalização é Antoine, o militar de férias em Lisboa que partilha com Maria Benta o palco metonímico das vivências turbulentas da guerra – e de novo, todas as personagens e todos os lugares e eventos do passado são introduzidos em função dessa personagem, inclusive as situações de racismo que Joca e o seu amigo Roque enfrentam. Finalmente a terceira parte, com focalização em Ana Maria, a filha e mãe que chega de Luanda, com percursos se cruzam e com a memória a destecer as lembranças de um tempo de guerra em que as opções políticas surgem num imbróglio de intrigas no xadrez das, por vezes, demasiado intensas relações e laços psicossociais, opções políticas seguidas de desencantos violentos (que levaram Ana Maria à prisão) ou relações de género marcadas por desigualdades afectivas. Porém, no final, o romance tem um desfecho solar quando avó, mãe e filho se reencontram num mundo outra vez a cores, não obstante a situação de imigrante que Maria Benta, lá no fundo, considera ser a de uma exilada. A sua carta à irmã, com quem partilha as dúvidas quanto à decisão de regressar ou ficar, ilustra esse sentimento de exílio, e a sua resistência ao presente faz-se com um constante retorno à história da sua família, em especial à Namuene Tata Pwo, a sua Tia de Linhagem.   2. Um fio de memória Este é um romance duplamente híbrido – para utilizar uma expressão do crítico e teórico da literatura Michel Vanoosthuyse ao teorizar a relação entre História e Ficção. Com efeito, trata-se de um romance que se constrói através de duas modalidades discursivas: por um lado é uma narrativa em que a trama romanesca cruza a referencialidade histórica (a história de Angola da pós-independência) com a ficcionalidade; por outro, concilia o discurso memorialista com a intenção literária. O romance resulta, assim, de “dois desejos centrífugos”, que são a factualidade e a veracidade por um lado, e a imaginação inventiva por outro. Enfim, dois horizontes de expectativas e duas competências discursivas divergentes que rasuram – ou pelo menos baralham – a fronteira entre os acontecimentos verosímeis (a guerra contada por Antoine ou o entusiasmo de Ana Maria que a levaria à dissonância com o poder político e, portanto, nesses tempo de uma ortodoxia política, à prisão) e o repertório não referencial (Vanoosthuyse, 1996: 10). É dessa ambiguidade que vive o discurso ficcional “sobre” o histórico que torna tão explosivamente significativo o seu lugar no sistema literário, sobretudo em sociedades em que a identidade se faz com grande contributo da instituição literária, como parece ser o caso de Angola, na sua relação com a História, designadamente a história pós-colonial. Este romance vive, portanto, dessa ambiguidade entre registo memorialista e registo verosímil e possível de acontecer, num movimento oscilante entre o “crer” e o “não crer”, movimento entre o “real” e o “possível” que se estende também à recepção: eu, por exemplo, leitora com vivência de “fora de lugar”, tal como Maria Benta, considero “surrealisticamente” verosímil uma personagem como Antoine, personagem amplamente caracterizada com uma retórica que denota os traumas da guerra, de quem vive a guerra, e que funciona como metáfora dos efeitos da guerra. Para reforçar essa verosimilhança e disseminar a verosimilhança pelo país inteiro, é interessante notar que não existem referências que identifiquem a origem deste militar, o seu estatuto (a sua patente) ou a geografia da sua guerra no território angolano. Assim, pode dizer-se que o romance tematiza a memória: a autora trabalha a narrativa com um constante flash-back rememorativo para situar o leitor no espaço e no tempo e dar-lhe o ponto de ancoragem de causa-efeito. E a memória dinamizada é tanto a memória política (esta sobretudo vivencial), como a memória inventiva, de matriz histórica (em que as personagens e os eventos são apresentados a partir de uma estrutura explicativa, de quem tem uma visão de dentro dos acontecimentos) e a memória da experiência (e não da vivência), no sentido em que, tanto quanto sei, embora “exilada”, a autora, Ana Luísa Teixeira, que se apresenta sob o pseudónimo Branca Clara das Neves, não teve o difícil percurso de Maria Benta, de Antoine ou de Ana Maria… Se é evidente que Branca Clara das Neves assumiu uma escrita de referência na tematização do Passado – estando certamente consciente da temerária contaminação da escrita literária pela memorialista, e fazendo a catarse da dimensão da factualidade e da veridição –, ela recorre a um estratagema: vai alternando narração com rememoração. Vários são os exemplos em que o narrador se transforma em comentador: Creio que este primeiro romance de Branca Clara das Neves é exemplo de perfeito equilíbrio entre as dimensões da literatura (Carlos Reis) : a estética, que a funda, como fenómeno de linguagem que é, mas a histórica, que informa sobre os percursos da história e fundamenta a sociocultural, que a institui como elemento de identidade. Inocência Mata (FLUL/CEC) Lisboa, 09 de Setembro de 2014
Carta do Professor Paulo De Medeiros à autora, em Agosto de 2014: “Gostei de ler embora não seja uma narrativa alegre nem suave. Trata sim, de uma certa suavidade talvez perdida para sempre, e de uma certa inocência também afastada mas capaz de se reaver com a música e o simples facto de se estar vivo. E faz isso sem nostalgias, sem remorsos e também sem ilusões.” “Sem pretensão alguma de fazer uma análise do livro, mesmo assim acho notável dois aspectos: um, o facto de ser até certo ponto um livro de memórias tanto pessoais como culturais e que, embora estabelecendo todo o registo de uma vivência outra, como o “sabor das matúnduas” não está presa ao passado de forma alguma. Em segundo lugar acho muito importante o livro tematizar a relação mãe–filha, já que isso raramente acontece na literatura. E fá-lo de uma maneira importante estabelecendo espaços autónomos para cada, reservando a identidade das duas, mas permitindo um fluir das duas personalidades também que, sem nunca abandonar as diferenças entre a posição da mãe e da filha, permite ver uma parceria também. “ “( ...) por mostrar em como é impossível pensar ou imaginar Lisboa sem as Luandas ou Luenas que a formaram também, (...) numa linguagem que desfaz a separação entre poesia e prosa no seu ritmo e nas suas expressões.” “Penso ser muito importante que se apresente como inacabada, talvez infinita , uma fala que continuará a estender-se pelo mundo.” Manuela Etaungo, Luanda: “ Queria continuar por aí nestes domingos abrigados da Maria Benta (...)” “(...) Uma circulação aparentemente leve entre lugares, épocas e referentes culturais não nos embarca numa viagem, encaminha à visita. Maria Benta, Antoine, Ana Maria aproximam-se insinuantes mas logo se encapsulam em margens do longe e nos afastam. E a música do texto sacode e leva. Então é já é estranho que começa a visita divorciado das pobrezas do exótico. Maria Benta levanta os olhos, pergunta.” Américo de Carvalho, Paris: “(…) Este livro trouxe-me velhas recordações e permitiu-me saborear a nova linguagem que se enraíza por cima das nossas gramáticas. Linguagem concisa, expressiva, sonora. Sobretudo verdadeira. Como fundo, a guerra, essa guerra imunda e longa que a todos foi imposta. Lisboa via Angola como reserva de selvagens, sem direito a nada. Nós, por nosso lado, sentíamos ao longe que os verdadeiros selvagens estavam em Lisboa. ...Na hora da verdade, a negociações preferiram o napalme. ... Por toda a parte a morte ou vidas à deriva. O seu livro fala delas. E da magia da nossa terra.(...)” Paulo Ndalu, Nzeto: “(..) Dá vontade de saber o que lhes era terá acontecido depois de 92. Antoine, Ana Maria, Joca, Roque, Maria Benta?” Tomás Gavino Coelho, Alhos Vedros: (…) Posso resumir o seu livro em duas palavras: PURA LITERATURA! Assim mesmo, com letra grande e ponto de exclamação. Belíssima primeira obra onde tão bem retratas o desenraizamento, a dificuldade de vidas reiniciadas, os horrores e traumas da guerra. As falas mudas da Maria Benta são notáveis! Aguardo, ansioso, pela sua próxima obra.
APRESENTAÇÃO DO ROMANCE Luena, Luanda, Lisboa, de Branca Clara das Neves Biblioteca das Galveias (Lisboa), 09 de Setembro de 2014 Pela Professora Inocência Mata ( Cumprimentos e Reconhecimentos aos anfitriões (Biblioteca Palácio das Galveias), ao editor e à autora, Ana Luísa Teixeira, minha amiga de longa data, que conheci dos idos dos anos 80 do século passado, em que, voluntariosos estudantes universitários que éramos, começámos a realizar, fora do circuito fechado das Embaixadas africanas, as comemorações do 25 de Maio, tudo fazendo pela visibilização da presença africana em Portugal. ) Permitam-me, pois, esta digressão nostálgica – uma nostalgia progressiva, diria Walter Benjamin – lembrando os inícios do nosso conhecimento, nas primeiras comemorações do Dia de África: foi nos anos 80 que um grupo de estudantes em Portugal resolveu num belo dia de Maio, em alegre cavaqueira na “cantina velha” – (onde grande parte de nós nos encontrávamos, mesmo se não lá tivéssemos almoçado) – resolveu, dizia, ensaiar uma primeira comemoração do dia de África, impulsionados por um estudante mais velho que, não sendo frequentador assíduo daquele espaço, por lá aparecia de vez quando: o Filó Vieira Lopes. Assim, a transbordar de boa vontade e pouca capacidade organizativa, convocámos colegas e até familiares a participarem com aquilo que sabiam fazer. E num salão algures no Lumiar, realizámos uma sessão cultural: daquelas “clássicas”, com música, recital de poesia acompanhado de música que um colega que soubesse dedilhar umas cordas se esforçava por inserir entre as palavras dos poetas ditas por estudantes muitos dos quais nem sabíamos que coisa era essa. Contávamos pelos dedos das mãos aqueles que se entregaram a essa empreitada. Foi um passo que se generalizou e pouco depois associações cívicas, culturais e de imigrantes africanos (naqueles tempos em que os próprios imigrantes não se assumiam como tal) já não mais deixaram de assinalar o dia. Hoje, em quase todas as associações ou agrupamentos de estudantes universitários, de qualquer estabelecimento de ensino superior, os estudantes africanos, mesmo à beira dos exames finais, se esforçam por assinalar o dia 25 de Maio, conseguindo o que então a nossa geração não conseguira: envolver as suas escolas, cooptar os seus colegas portugueses. Esse processo foi revelando uma interessantíssima mutação na identidade da comunidade africana em Portugal: é que esse frenesim de que os africanos são atacados em Maio, e que se estendeu a instituições portuguesas, revela que se vão considerando parte de uma comunidade com um denominador comum: a origem africana que os unia mais do que separava, uma espécie de orgulho continental que a “condição africana” impunha celebrar. Como que a dizer que não obstante as imagens pouco celebrativas que vêm de África, e sobretudo sobre África, ainda nos orgulhamos de sermos filhos dela. 1. Vidas em jogo O essencial não é o que se fez do homem, mas o que ele fez do que fizeram dele. Jean-Paul Sartre Esta não foi, acreditem, uma digressão vã. E verão porquê, agora que vou passar ao assunto que nos trouxe cá. E o que nos trouxe cá é esta amiga, Ana Luísa, aliás, Branca Clara das Neves, de quem não conhecia tendências literárias, até descobrir o seu blogue Os-do-meio. Não posso deixar de assinalar quatro aspectos curiosos dessa estreia: 1. Um primeiro romance que surge como continuação da sua actividade bloguista: o nome, os tags, a mesma discursividade da escrita dos textos do blogue e a mesma autoria, Branca Clara das Neves; 2. A mesma construção geográfica da identidade: Luena Luanda Lisboa, que surge como emblema autoral do blogue e que é, afinal, o título deste romance; 3. O pseudónimo, Branca Clara das Neves, que se faz a partir de semas que apontam para uma certa imagem rácica em contraste com a ideologia identitária da autora, que se afirma, pela reiteração de uma geografia original, o seu lugar de pertença, rasurando a categoria raça na sua construção identitária; 4. Finalmente, uma indicação em subtítulo que parece contrariar os focos narrativos até sugeridos pelos títulos das três partes: Maria Benta, Antoine e Ana Maria. A história deste romance, em três andamentos, é narrada por um narrador completamente omnisciente – que se confunde com a voz das personagens: com efeito, o romance tem muito poucos diálogos, e é sobretudo uma voz narrante, focalizada em determinadas personagens (sobretudo na avó Maria Benta), que nos vai informando sobre as personagens e o seu passado. Não se pense, porém, que esses três andamentos se referem a três tipos de focalização igualmente distribuída: na primeira parte, a história é introduzida através da perspectiva de Maria Benta e, para além da sua apresentação, do seu passado e do seu percurso desde Luena até Lisboa, a sua vivência sem enlevo em Portugal, as preocupações com a sua filha em Luanda e o neto com quem vive, a sua tentativa de regresso à terra e àquele presente. Pela sua fala se vai percebendo os meandros do seu círculo de afectos – o neto João Carlos/Joca, Manuel, o marido já falecido, e a filha Ana Maria – e o lugar dessas personagens e o seu papel no percurso de vida de Maria Benta. Na segunda parte a personagem privilegiada na focalização é Antoine, o militar de férias em Lisboa que partilha com Maria Benta o palco metonímico das vivências turbulentas da guerra – e de novo, todas as personagens e todos os lugares e eventos do passado são introduzidos em função dessa personagem, inclusive as situações de racismo que Joca e o seu amigo Roque enfrentam. Finalmente a terceira parte, com focalização em Ana Maria, a filha e mãe que chega de Luanda, com percursos se cruzam e com a memória a destecer as lembranças de um tempo de guerra em que as opções políticas surgem num imbróglio de intrigas no xadrez das, por vezes, demasiado intensas relações e laços psicossociais, opções políticas seguidas de desencantos violentos (que levaram Ana Maria à prisão) ou relações de género marcadas por desigualdades afectivas. Porém, no final, o romance tem um desfecho solar quando avó, mãe e filho se reencontram num mundo outra vez a cores, não obstante a situação de imigrante que Maria Benta, lá no fundo, considera ser a de uma exilada. A sua carta à irmã, com quem partilha as dúvidas quanto à decisão de regressar ou ficar, ilustra esse sentimento de exílio, e a sua resistência ao presente faz-se com um constante retorno à história da sua família, em especial à Namuene Tata Pwo, a sua Tia de Linhagem.   2. Um fio de memória Este é um romance duplamente híbrido – para utilizar uma expressão do crítico e teórico da literatura Michel Vanoosthuyse ao teorizar a relação entre História e Ficção. Com efeito, trata-se de um romance que se constrói através de duas modalidades discursivas: por um lado é uma narrativa em que a trama romanesca cruza a referencialidade histórica (a história de Angola da pós-independência) com a ficcionalidade; por outro, concilia o discurso memorialista com a intenção literária. O romance resulta, assim, de “dois desejos centrífugos”, que são a factualidade e a veracidade por um lado, e a imaginação inventiva por outro. Enfim, dois horizontes de expectativas e duas competências discursivas divergentes que rasuram – ou pelo menos baralham – a fronteira entre os acontecimentos verosímeis (a guerra contada por Antoine ou o entusiasmo de Ana Maria que a levaria à dissonância com o poder político e, portanto, nesses tempo de uma ortodoxia política, à prisão) e o repertório não referencial (Vanoosthuyse, 1996: 10). É dessa ambiguidade que vive o discurso ficcional “sobre” o histórico que torna tão explosivamente significativo o seu lugar no sistema literário, sobretudo em sociedades em que a identidade se faz com grande contributo da instituição literária, como parece ser o caso de Angola, na sua relação com a História, designadamente a história pós-colonial. Este romance vive, portanto, dessa ambiguidade entre registo memorialista e registo verosímil e possível de acontecer, num movimento oscilante entre o “crer” e o “não crer”, movimento entre o “real” e o “possível” que se estende também à recepção: eu, por exemplo, leitora com vivência de “fora de lugar”, tal como Maria Benta, considero “surrealisticamente” verosímil uma personagem como Antoine, personagem amplamente caracterizada com uma retórica que denota os traumas da guerra, de quem vive a guerra, e que funciona como metáfora dos efeitos da guerra. Para reforçar essa verosimilhança e disseminar a verosimilhança pelo país inteiro, é interessante notar que não existem referências que identifiquem a origem deste militar, o seu estatuto (a sua patente) ou a geografia da sua guerra no território angolano. Assim, pode dizer-se que o romance tematiza a memória: a autora trabalha a narrativa com um constante flash-back rememorativo para situar o leitor no espaço e no tempo e dar-lhe o ponto de ancoragem de causa-efeito. E a memória dinamizada é tanto a memória política (esta sobretudo vivencial), como a memória inventiva, de matriz histórica (em que as personagens e os eventos são apresentados a partir de uma estrutura explicativa, de quem tem uma visão de dentro dos acontecimentos) e a memória da experiência (e não da vivência), no sentido em que, tanto quanto sei, embora “exilada”, a autora, Ana Luísa Teixeira, que se apresenta sob o pseudónimo Branca Clara das Neves, não teve o difícil percurso de Maria Benta, de Antoine ou de Ana Maria… Se é evidente que Branca Clara das Neves assumiu uma escrita de referência na tematização do Passado – estando certamente consciente da temerária contaminação da escrita literária pela memorialista, e fazendo a catarse da dimensão da factualidade e da veridição –, ela recorre a um estratagema: vai alternando narração com rememoração. Vários são os exemplos em que o narrador se transforma em comentador: Creio que este primeiro romance de Branca Clara das Neves é exemplo de perfeito equilíbrio entre as dimensões da literatura (Carlos Reis) : a estética, que a funda, como fenómeno de linguagem que é, mas a histórica, que informa sobre os percursos da história e fundamenta a sociocultural, que a institui como elemento de identidade. Inocência Mata (FLUL/CEC) Lisboa, 09 de Setembro de 2014
Carta do Professor Paulo De Medeiros à autora, em Agosto de 2014: “Gostei de ler embora não seja uma narrativa alegre nem suave. Trata sim, de uma certa suavidade talvez perdida para sempre, e de uma certa inocência também afastada mas capaz de se reaver com a música e o simples facto de se estar vivo. E faz isso sem nostalgias, sem remorsos e também sem ilusões.” “Sem pretensão alguma de fazer uma análise do livro, mesmo assim acho notável dois aspectos: um, o facto de ser até certo ponto um livro de memórias tanto pessoais como culturais e que, embora estabelecendo todo o registo de uma vivência outra, como o “sabor das matúnduas” não está presa ao passado de forma alguma. Em segundo lugar acho muito importante o livro tematizar a relação mãe–filha, já que isso raramente acontece na literatura. E fá-lo de uma maneira importante estabelecendo espaços autónomos para cada, reservando a identidade das duas, mas permitindo um fluir das duas personalidades também que, sem nunca abandonar as diferenças entre a posição da mãe e da filha, permite ver uma parceria também. “ “( ...) por mostrar em como é impossível pensar ou imaginar Lisboa sem as Luandas ou Luenas que a formaram também, (...) numa linguagem que desfaz a separação entre poesia e prosa no seu ritmo e nas suas expressões.” “Penso ser muito importante que se apresente como inacabada, talvez infinita , uma fala que continuará a estender-se pelo mundo.” Manuela Etaungo, Luanda: “ Queria continuar por aí nestes domingos abrigados da Maria Benta (...)” “(...) Uma circulação aparentemente leve entre lugares, épocas e referentes culturais não nos embarca numa viagem, encaminha à visita. Maria Benta, Antoine, Ana Maria aproximam-se insinuantes mas logo se encapsulam em margens do longe e nos afastam. E a música do texto sacode e leva. Então é já é estranho que começa a visita divorciado das pobrezas do exótico. Maria Benta levanta os olhos, pergunta.” Américo de Carvalho, Paris: “(…) Este livro trouxe-me velhas recordações e permitiu-me saborear a nova linguagem que se enraíza por cima das nossas gramáticas. Linguagem concisa, expressiva, sonora. Sobretudo verdadeira. Como fundo, a guerra, essa guerra imunda e longa que a todos foi imposta. Lisboa via Angola como reserva de selvagens, sem direito a nada. Nós, por nosso lado, sentíamos ao longe que os verdadeiros selvagens estavam em Lisboa. ...Na hora da verdade, a negociações preferiram o napalme. ... Por toda a parte a morte ou vidas à deriva. O seu livro fala delas. E da magia da nossa terra.(...)” Paulo Ndalu, Nzeto: “(..) Dá vontade de saber o que lhes era terá acontecido depois de 92. Antoine, Ana Maria, Joca, Roque, Maria Benta?” Tomás Gavino Coelho, Alhos Vedros: (…) Posso resumir o seu livro em duas palavras: PURA LITERATURA! Assim mesmo, com letra grande e ponto de exclamação. Belíssima primeira obra onde tão bem retratas o desenraizamento, a dificuldade de vidas reiniciadas, os horrores e traumas da guerra. As falas mudas da Maria Benta são notáveis! Aguardo, ansioso, pela sua próxima obra.
APRESENTAÇÃO DO ROMANCE Luena, Luanda, Lisboa, de Branca Clara das Neves Biblioteca das Galveias (Lisboa), 09 de Setembro de 2014 Pela Professora Inocência Mata ( Cumprimentos e Reconhecimentos aos anfitriões (Biblioteca Palácio das Galveias), ao editor e à autora, Ana Luísa Teixeira, minha amiga de longa data, que conheci dos idos dos anos 80 do século passado, em que, voluntariosos estudantes universitários que éramos, começámos a realizar, fora do circuito fechado das Embaixadas africanas, as comemorações do 25 de Maio, tudo fazendo pela visibilização da presença africana em Portugal. ) Permitam-me, pois, esta digressão nostálgica – uma nostalgia progressiva, diria Walter Benjamin – lembrando os inícios do nosso conhecimento, nas primeiras comemorações do Dia de África: foi nos anos 80 que um grupo de estudantes em Portugal resolveu num belo dia de Maio, em alegre cavaqueira na “cantina velha” – (onde grande parte de nós nos encontrávamos, mesmo se não lá tivéssemos almoçado) – resolveu, dizia, ensaiar uma primeira comemoração do dia de África, impulsionados por um estudante mais velho que, não sendo frequentador assíduo daquele espaço, por lá aparecia de vez quando: o Filó Vieira Lopes. Assim, a transbordar de boa vontade e pouca capacidade organizativa, convocámos colegas e até familiares a participarem com aquilo que sabiam fazer. E num salão algures no Lumiar, realizámos uma sessão cultural: daquelas “clássicas”, com música, recital de poesia acompanhado de música que um colega que soubesse dedilhar umas cordas se esforçava por inserir entre as palavras dos poetas ditas por estudantes muitos dos quais nem sabíamos que coisa era essa. Contávamos pelos dedos das mãos aqueles que se entregaram a essa empreitada. Foi um passo que se generalizou e pouco depois associações cívicas, culturais e de imigrantes africanos (naqueles tempos em que os próprios imigrantes não se assumiam como tal) já não mais deixaram de assinalar o dia. Hoje, em quase todas as associações ou agrupamentos de estudantes universitários, de qualquer estabelecimento de ensino superior, os estudantes africanos, mesmo à beira dos exames finais, se esforçam por assinalar o dia 25 de Maio, conseguindo o que então a nossa geração não conseguira: envolver as suas escolas, cooptar os seus colegas portugueses. Esse processo foi revelando uma interessantíssima mutação na identidade da comunidade africana em Portugal: é que esse frenesim de que os africanos são atacados em Maio, e que se estendeu a instituições portuguesas, revela que se vão considerando parte de uma comunidade com um denominador comum: a origem africana que os unia mais do que separava, uma espécie de orgulho continental que a “condição africana” impunha celebrar. Como que a dizer que não obstante as imagens pouco celebrativas que vêm de África, e sobretudo sobre África, ainda nos orgulhamos de sermos filhos dela. 1. Vidas em jogo O essencial não é o que se fez do homem, mas o que ele fez do que fizeram dele. Jean-Paul Sartre Esta não foi, acreditem, uma digressão vã. E verão porquê, agora que vou passar ao assunto que nos trouxe cá. E o que nos trouxe cá é esta amiga, Ana Luísa, aliás, Branca Clara das Neves, de quem não conhecia tendências literárias, até descobrir o seu blogue Os-do-meio. Não posso deixar de assinalar quatro aspectos curiosos dessa estreia: 1. Um primeiro romance que surge como continuação da sua actividade bloguista: o nome, os tags, a mesma discursividade da escrita dos textos do blogue e a mesma autoria, Branca Clara das Neves; 2. A mesma construção geográfica da identidade: Luena Luanda Lisboa, que surge como emblema autoral do blogue e que é, afinal, o título deste romance; 3. O pseudónimo, Branca Clara das Neves, que se faz a partir de semas que apontam para uma certa imagem rácica em contraste com a ideologia identitária da autora, que se afirma, pela reiteração de uma geografia original, o seu lugar de pertença, rasurando a categoria raça na sua construção identitária; 4. Finalmente, uma indicação em subtítulo que parece contrariar os focos narrativos até sugeridos pelos títulos das três partes: Maria Benta, Antoine e Ana Maria. A história deste romance, em três andamentos, é narrada por um narrador completamente omnisciente – que se confunde com a voz das personagens: com efeito, o romance tem muito poucos diálogos, e é sobretudo uma voz narrante, focalizada em determinadas personagens (sobretudo na avó Maria Benta), que nos vai informando sobre as personagens e o seu passado. Não se pense, porém, que esses três andamentos se referem a três tipos de focalização igualmente distribuída: na primeira parte, a história é introduzida através da perspectiva de Maria Benta e, para além da sua apresentação, do seu passado e do seu percurso desde Luena até Lisboa, a sua vivência sem enlevo em Portugal, as preocupações com a sua filha em Luanda e o neto com quem vive, a sua tentativa de regresso à terra e àquele presente. Pela sua fala se vai percebendo os meandros do seu círculo de afectos – o neto João Carlos/Joca, Manuel, o marido já falecido, e a filha Ana Maria – e o lugar dessas personagens e o seu papel no percurso de vida de Maria Benta. Na segunda parte a personagem privilegiada na focalização é Antoine, o militar de férias em Lisboa que partilha com Maria Benta o palco metonímico das vivências turbulentas da guerra – e de novo, todas as personagens e todos os lugares e eventos do passado são introduzidos em função dessa personagem, inclusive as situações de racismo que Joca e o seu amigo Roque enfrentam. Finalmente a terceira parte, com focalização em Ana Maria, a filha e mãe que chega de Luanda, com percursos se cruzam e com a memória a destecer as lembranças de um tempo de guerra em que as opções políticas surgem num imbróglio de intrigas no xadrez das, por vezes, demasiado intensas relações e laços psicossociais, opções políticas seguidas de desencantos violentos (que levaram Ana Maria à prisão) ou relações de género marcadas por desigualdades afectivas. Porém, no final, o romance tem um desfecho solar quando avó, mãe e filho se reencontram num mundo outra vez a cores, não obstante a situação de imigrante que Maria Benta, lá no fundo, considera ser a de uma exilada. A sua carta à irmã, com quem partilha as dúvidas quanto à decisão de regressar ou ficar, ilustra esse sentimento de exílio, e a sua resistência ao presente faz-se com um constante retorno à história da sua família, em especial à Namuene Tata Pwo, a sua Tia de Linhagem.   2. Um fio de memória Este é um romance duplamente híbrido – para utilizar uma expressão do crítico e teórico da literatura Michel Vanoosthuyse ao teorizar a relação entre História e Ficção. Com efeito, trata-se de um romance que se constrói através de duas modalidades discursivas: por um lado é uma narrativa em que a trama romanesca cruza a referencialidade histórica (a história de Angola da pós-independência) com a ficcionalidade; por outro, concilia o discurso memorialista com a intenção literária. O romance resulta, assim, de “dois desejos centrífugos”, que são a factualidade e a veracidade por um lado, e a imaginação inventiva por outro. Enfim, dois horizontes de expectativas e duas competências discursivas divergentes que rasuram – ou pelo menos baralham – a fronteira entre os acontecimentos verosímeis (a guerra contada por Antoine ou o entusiasmo de Ana Maria que a levaria à dissonância com o poder político e, portanto, nesses tempo de uma ortodoxia política, à prisão) e o repertório não referencial (Vanoosthuyse, 1996: 10). É dessa ambiguidade que vive o discurso ficcional “sobre” o histórico que torna tão explosivamente significativo o seu lugar no sistema literário, sobretudo em sociedades em que a identidade se faz com grande contributo da instituição literária, como parece ser o caso de Angola, na sua relação com a História, designadamente a história pós-colonial. Este romance vive, portanto, dessa ambiguidade entre registo memorialista e registo verosímil e possível de acontecer, num movimento oscilante entre o “crer” e o “não crer”, movimento entre o “real” e o “possível” que se estende também à recepção: eu, por exemplo, leitora com vivência de “fora de lugar”, tal como Maria Benta, considero “surrealisticamente” verosímil uma personagem como Antoine, personagem amplamente caracterizada com uma retórica que denota os traumas da guerra, de quem vive a guerra, e que funciona como metáfora dos efeitos da guerra. Para reforçar essa verosimilhança e disseminar a verosimilhança pelo país inteiro, é interessante notar que não existem referências que identifiquem a origem deste militar, o seu estatuto (a sua patente) ou a geografia da sua guerra no território angolano. Assim, pode dizer-se que o romance tematiza a memória: a autora trabalha a narrativa com um constante flash-back rememorativo para situar o leitor no espaço e no tempo e dar-lhe o ponto de ancoragem de causa-efeito. E a memória dinamizada é tanto a memória política (esta sobretudo vivencial), como a memória inventiva, de matriz histórica (em que as personagens e os eventos são apresentados a partir de uma estrutura explicativa, de quem tem uma visão de dentro dos acontecimentos) e a memória da experiência (e não da vivência), no sentido em que, tanto quanto sei, embora “exilada”, a autora, Ana Luísa Teixeira, que se apresenta sob o pseudónimo Branca Clara das Neves, não teve o difícil percurso de Maria Benta, de Antoine ou de Ana Maria… Se é evidente que Branca Clara das Neves assumiu uma escrita de referência na tematização do Passado – estando certamente consciente da temerária contaminação da escrita literária pela memorialista, e fazendo a catarse da dimensão da factualidade e da veridição –, ela recorre a um estratagema: vai alternando narração com rememoração. Vários são os exemplos em que o narrador se transforma em comentador: Creio que este primeiro romance de Branca Clara das Neves é exemplo de perfeito equilíbrio entre as dimensões da literatura (Carlos Reis) : a estética, que a funda, como fenómeno de linguagem que é, mas a histórica, que informa sobre os percursos da história e fundamenta a sociocultural, que a institui como elemento de identidade. Inocência Mata (FLUL/CEC) Lisboa, 09 de Setembro de 2014 Carta do Professor Paulo De Medeiros à autora, em Agosto de 2014: “Gostei de ler embora não seja uma narrativa alegre nem suave. Trata sim, de uma certa suavidade talvez perdida para sempre, e de uma certa inocência também afastada mas capaz de se reaver com a música e o simples facto de se estar vivo. E faz isso sem nostalgias, sem remorsos e também sem ilusões.” “Sem pretensão alguma de fazer uma análise do livro, mesmo assim acho notável dois aspectos: um, o facto de ser até certo ponto um livro de memórias tanto pessoais como culturais e que, embora estabelecendo todo o registo de uma vivência outra, como o “sabor das matúnduas” não está presa ao passado de forma alguma. Em segundo lugar acho muito importante o livro tematizar a relação mãe–filha, já que isso raramente acontece na literatura. E fá-lo de uma maneira importante estabelecendo espaços autónomos para cada, reservando a identidade das duas, mas permitindo um fluir das duas personalidades também que, sem nunca abandonar as diferenças entre a posição da mãe e da filha, permite ver uma parceria também. “ “( ...) por mostrar em como é impossível pensar ou imaginar Lisboa sem as Luandas ou Luenas que a formaram também, (...) numa linguagem que desfaz a separação entre poesia e prosa no seu ritmo e nas suas expressões.” “Penso ser muito importante que se apresente como inacabada, talvez infinita , uma fala que continuará a estender-se pelo mundo.” Manuela Etaungo, Luanda: “ Queria continuar por aí nestes domingos abrigados da Maria Benta (...)” “(...) Uma circulação aparentemente leve entre lugares, épocas e referentes culturais não nos embarca numa viagem, encaminha à visita. Maria Benta, Antoine, Ana Maria aproximam-se insinuantes mas logo se encapsulam em margens do longe e nos afastam. E a música do texto sacode e leva. Então é já é estranho que começa a visita divorciado das pobrezas do exótico. Maria Benta levanta os olhos, pergunta.” Américo de Carvalho, Paris: “(…) Este livro trouxe-me velhas recordações e permitiu-me saborear a nova linguagem que se enraíza por cima das nossas gramáticas. Linguagem concisa, expressiva, sonora. Sobretudo verdadeira. Como fundo, a guerra, essa guerra imunda e longa que a todos foi imposta. Lisboa via Angola como reserva de selvagens, sem direito a nada. Nós, por nosso lado, sentíamos ao longe que os verdadeiros selvagens estavam em Lisboa. ...Na hora da verdade, a negociações preferiram o napalme. ... Por toda a parte a morte ou vidas à deriva. O seu livro fala delas. E da magia da nossa terra.(...)” Paulo Ndalu, Nzeto: “(..) Dá vontade de saber o que lhes era terá acontecido depois de 92. Antoine, Ana Maria, Joca, Roque, Maria Benta?” Tomás Gavino Coelho, Alhos Vedros: (…) Posso resumir o seu livro em duas palavras: PURA LITERATURA! Assim mesmo, com letra grande e ponto de exclamação. Belíssima primeira obra onde tão bem retratas o desenraizamento, a dificuldade de vidas reiniciadas, os horrores e traumas da guerra. As falas mudas da Maria Benta são notáveis! Aguardo, ansioso, pela sua próxima obra.
Apresentação do Romance Prof. Inocêcia Mata Carta do Professor Paulo De Medeiros à autora, em Agosto de 2014: “Gostei de ler embora não seja uma narrativa alegre nem suave. Trata sim, de uma certa suavidade talvez perdida para sempre, e de uma certa inocência também afastada mas capaz de se reaver com a música e o simples facto de se estar vivo. E faz isso sem nostalgias, sem remorsos e também sem ilusões.” “Sem pretensão alguma de fazer uma análise do livro, mesmo assim acho notável dois aspectos: um, o facto de ser até certo ponto um livro de memórias tanto pessoais como culturais e que, embora estabelecendo todo o registo de uma vivência outra, como o “sabor das matúnduas” não está presa ao passado de forma alguma. Em segundo lugar acho muito importante o livro tematizar a relação mãe–filha, já que isso raramente acontece na literatura. E fá-lo de uma maneira importante estabelecendo espaços autónomos para cada, reservando a identidade das duas, mas permitindo um fluir das duas personalidades também que, sem nunca abandonar as diferenças entre a posição da mãe e da filha, permite ver uma parceria também. “ “( ...) por mostrar em como é impossível pensar ou imaginar Lisboa sem as Luandas ou Luenas que a formaram também, (...) numa linguagem que desfaz a separação entre poesia e prosa no seu ritmo e nas suas expressões.” “Penso ser muito importante que se apresente como inacabada, talvez infinita , uma fala que continuará a estender-se pelo mundo.” Manuela Etaungo, Luanda: “ Queria continuar por aí nestes domingos abrigados da Maria Benta (...)” “(...) Uma circulação aparentemente leve entre lugares, épocas e referentes culturais não nos embarca numa viagem, encaminha à visita. Maria Benta, Antoine, Ana Maria aproximam-se insinuantes mas logo se encapsulam em margens do longe e nos afastam. E a música do texto sacode e leva. Então é já é estranho que começa a visita divorciado das pobrezas do exótico. Maria Benta levanta os olhos, pergunta.” Américo de Carvalho, Paris: “(…) Este livro trouxe-me velhas recordações e permitiu-me saborear a nova linguagem que se enraíza por cima das nossas gramáticas. Linguagem concisa, expressiva, sonora. Sobretudo verdadeira. Como fundo, a guerra, essa guerra imunda e longa que a todos foi imposta. Lisboa via Angola como reserva de selvagens, sem direito a nada. Nós, por nosso lado, sentíamos ao longe que os verdadeiros selvagens estavam em Lisboa. ...Na hora da verdade, a negociações preferiram o napalme. ... Por toda a parte a morte ou vidas à deriva. O seu livro fala delas. E da magia da nossa terra.(...)” Paulo Ndalu, Nzeto: “(..) Dá vontade de saber o que lhes era terá acontecido depois de 92. Antoine, Ana Maria, Joca, Roque, Maria Benta?” Tomás Gavino Coelho, Alhos Vedros: (…) Posso resumir o seu livro em duas palavras: PURA LITERATURA! Assim mesmo, com letra grande e ponto de exclamação. Belíssima primeira obra onde tão bem retratas o desenraizamento, a dificuldade de vidas reiniciadas, os horrores e traumas da guerra. As falas mudas da Maria Benta são notáveis! Aguardo, ansioso, pela sua próxima obra.
Apresentação do Romance Prof. Inocêcia Mata Carta do Professor Paulo De Medeiros à autora, em Agosto de 2014: “Gostei de ler embora não seja uma narrativa alegre nem suave. Trata sim, de uma certa suavidade talvez perdida para sempre, e de uma certa inocência também afastada mas capaz de se reaver com a música e o simples facto de se estar vivo. E faz isso sem nostalgias, sem remorsos e também sem ilusões.” “Sem pretensão alguma de fazer uma análise do livro, mesmo assim acho notável dois aspectos: um, o facto de ser até certo ponto um livro de memórias tanto pessoais como culturais e que, embora estabelecendo todo o registo de uma vivência outra, como o “sabor das matúnduas” não está presa ao passado de forma alguma. Em segundo lugar acho muito importante o livro tematizar a relação mãe–filha, já que isso raramente acontece na literatura. E fá-lo de uma maneira importante estabelecendo espaços autónomos para cada, reservando a identidade das duas, mas permitindo um fluir das duas personalidades também que, sem nunca abandonar as diferenças entre a posição da mãe e da filha, permite ver uma parceria também. “ “( ...) por mostrar em como é impossível pensar ou imaginar Lisboa sem as Luandas ou Luenas que a formaram também, (...) numa linguagem que desfaz a separação entre poesia e prosa no seu ritmo e nas suas expressões.” “Penso ser muito importante que se apresente como inacabada, talvez infinita , uma fala que continuará a estender-se pelo mundo.” Manuela Etaungo, Luanda: “ Queria continuar por aí nestes domingos abrigados da Maria Benta (...)” “(...) Uma circulação aparentemente leve entre lugares, épocas e referentes culturais não nos embarca numa viagem, encaminha à visita. Maria Benta, Antoine, Ana Maria aproximam-se insinuantes mas logo se encapsulam em margens do longe e nos afastam. E a música do texto sacode e leva. Então é já é estranho que começa a visita divorciado das pobrezas do exótico. Maria Benta levanta os olhos, pergunta.” Américo de Carvalho, Paris: “(…) Este livro trouxe-me velhas recordações e permitiu-me saborear a nova linguagem que se enraíza por cima das nossas gramáticas. Linguagem concisa, expressiva, sonora. Sobretudo verdadeira. Como fundo, a guerra, essa guerra imunda e longa que a todos foi imposta. Lisboa via Angola como reserva de selvagens, sem direito a nada. Nós, por nosso lado, sentíamos ao longe que os verdadeiros selvagens estavam em Lisboa. ...Na hora da verdade, a negociações preferiram o napalme. ... Por toda a parte a morte ou vidas à deriva. O seu livro fala delas. E da magia da nossa terra.(...)” Paulo Ndalu, Nzeto: “(..) Dá vontade de saber o que lhes era terá acontecido depois de 92. Antoine, Ana Maria, Joca, Roque, Maria Benta?” Tomás Gavino Coelho, Alhos Vedros: (…) Posso resumir o seu livro em duas palavras: PURA LITERATURA! Assim mesmo, com letra grande e ponto de exclamação. Belíssima primeira obra onde tão bem retratas o desenraizamento, a dificuldade de vidas reiniciadas, os horrores e traumas da guerra. As falas mudas da Maria Benta são notáveis! Aguardo, ansioso, pela sua próxima obra.
Apresentação do Romance Prof. Inocêcia Mata Carta do Professor Paulo De Medeiros à autora, em Agosto de 2014: “Gostei de ler embora não seja uma narrativa alegre nem suave. Trata sim, de uma certa suavidade talvez perdida para sempre, e de uma certa inocência também afastada mas capaz de se reaver com a música e o simples facto de se estar vivo. E faz isso sem nostalgias, sem remorsos e também sem ilusões.” “Sem pretensão alguma de fazer uma análise do livro, mesmo assim acho notável dois aspectos: um, o facto de ser até certo ponto um livro de memórias tanto pessoais como culturais e que, embora estabelecendo todo o registo de uma vivência outra, como o “sabor das matúnduas” não está presa ao passado de forma alguma. Em segundo lugar acho muito importante o livro tematizar a relação mãe–filha, já que isso raramente acontece na literatura. E fá-lo de uma maneira importante estabelecendo espaços autónomos para cada, reservando a identidade das duas, mas permitindo um fluir das duas personalidades também que, sem nunca abandonar as diferenças entre a posição da mãe e da filha, permite ver uma parceria também. “ “( ...) por mostrar em como é impossível pensar ou imaginar Lisboa sem as Luandas ou Luenas que a formaram também, (...) numa linguagem que desfaz a separação entre poesia e prosa no seu ritmo e nas suas expressões.” “Penso ser muito importante que se apresente como inacabada, talvez infinita , uma fala que continuará a estender-se pelo mundo.” Manuela Etaungo, Luanda: “ Queria continuar por aí nestes domingos abrigados da Maria Benta (...)” “(...) Uma circulação aparentemente leve entre lugares, épocas e referentes culturais não nos embarca numa viagem, encaminha à visita. Maria Benta, Antoine, Ana Maria aproximam-se insinuantes mas logo se encapsulam em margens do longe e nos afastam. E a música do texto sacode e leva. Então é já é estranho que começa a visita divorciado das pobrezas do exótico. Maria Benta levanta os olhos, pergunta.” Américo de Carvalho, Paris: “(…) Este livro trouxe-me velhas recordações e permitiu-me saborear a nova linguagem que se enraíza por cima das nossas gramáticas. Linguagem concisa, expressiva, sonora. Sobretudo verdadeira. Como fundo, a guerra, essa guerra imunda e longa que a todos foi imposta. Lisboa via Angola como reserva de selvagens, sem direito a nada. Nós, por nosso lado, sentíamos ao longe que os verdadeiros selvagens estavam em Lisboa. ...Na hora da verdade, a negociações preferiram o napalme. ... Por toda a parte a morte ou vidas à deriva. O seu livro fala delas. E da magia da nossa terra.(...)” Paulo Ndalu, Nzeto: “(..) Dá vontade de saber o que lhes era terá acontecido depois de 92. Antoine, Ana Maria, Joca, Roque, Maria Benta?” Tomás Gavino Coelho, Alhos Vedros: (…) Posso resumir o seu livro em duas palavras: PURA LITERATURA! Assim mesmo, com letra grande e ponto de exclamação. Belíssima primeira obra onde tão bem retratas o desenraizamento, a dificuldade de vidas reiniciadas, os horrores e traumas da guerra. As falas mudas da Maria Benta são notáveis! Aguardo, ansioso, pela sua próxima obra.
Apresentação do Romance Prof. Inocêcia Mata Carta do Professor Paulo De Medeiros à autora, em Agosto de 2014: “Gostei de ler embora não seja uma narrativa alegre nem suave. Trata sim, de uma certa suavidade talvez perdida para sempre, e de uma certa inocência também afastada mas capaz de se reaver com a música e o simples facto de se estar vivo. E faz isso sem nostalgias, sem remorsos e também sem ilusões.” “Sem pretensão alguma de fazer uma análise do livro, mesmo assim acho notável dois aspectos: um, o facto de ser até certo ponto um livro de memórias tanto pessoais como culturais e que, embora estabelecendo todo o registo de uma vivência outra, como o “sabor das matúnduas” não está presa ao passado de forma alguma. Em segundo lugar acho muito importante o livro tematizar a relação mãe–filha, já que isso raramente acontece na literatura. E fá-lo de uma maneira importante estabelecendo espaços autónomos para cada, reservando a identidade das duas, mas permitindo um fluir das duas personalidades também que, sem nunca abandonar as diferenças entre a posição da mãe e da filha, permite ver uma parceria também. “ “( ...) por mostrar em como é impossível pensar ou imaginar Lisboa sem as Luandas ou Luenas que a formaram também, (...) numa linguagem que desfaz a separação entre poesia e prosa no seu ritmo e nas suas expressões.” “Penso ser muito importante que se apresente como inacabada, talvez infinita , uma fala que continuará a estender-se pelo mundo.” Manuela Etaungo, Luanda: “ Queria continuar por aí nestes domingos abrigados da Maria Benta (...)” “(...) Uma circulação aparentemente leve entre lugares, épocas e referentes culturais não nos embarca numa viagem, encaminha à visita. Maria Benta, Antoine, Ana Maria aproximam-se insinuantes mas logo se encapsulam em margens do longe e nos afastam. E a música do texto sacode e leva. Então é já é estranho que começa a visita divorciado das pobrezas do exótico. Maria Benta levanta os olhos, pergunta.” Américo de Carvalho, Paris: “(…) Este livro trouxe-me velhas recordações e permitiu-me saborear a nova linguagem que se enraíza por cima das nossas gramáticas. Linguagem concisa, expressiva, sonora. Sobretudo verdadeira. Como fundo, a guerra, essa guerra imunda e longa que a todos foi imposta. Lisboa via Angola como reserva de selvagens, sem direito a nada. Nós, por nosso lado, sentíamos ao longe que os verdadeiros selvagens estavam em Lisboa. ...Na hora da verdade, a negociações preferiram o napalme. ... Por toda a parte a morte ou vidas à deriva. O seu livro fala delas. E da magia da nossa terra.(...)” Paulo Ndalu, Nzeto: “(..) Dá vontade de saber o que lhes era terá acontecido depois de 92. Antoine, Ana Maria, Joca, Roque, Maria Benta?” Tomás Gavino Coelho, Alhos Vedros: (…) Posso resumir o seu livro em duas palavras: PURA LITERATURA! Assim mesmo, com letra grande e ponto de exclamação. Belíssima primeira obra onde tão bem retratas o desenraizamento, a dificuldade de vidas reiniciadas, os horrores e traumas da guerra. As falas mudas da Maria Benta são notáveis! Aguardo, ansioso, pela sua próxima obra.
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